quarta-feira, 17 de abril de 2013

Fio de esperança



É que na verdade, no meio de todas as minhas crises, minhas angústias, no meio de todos os meus pensamentos sombrios, ainda me resta um fio de esperança. Uma pequena parte de mim que ainda acredita que as coisas podem melhorar. Uma pena que esse sentimento que me transmite a paz dure apenas alguns minutos, logo depois meus medos voltam para me assolar, mas ainda assim é suficiente para me dar um pingo de força para continuar sobrevivendo. Não sei se esse sentimento é bom, afinal, é só momentânio e com ele eu posso pressentir que a dor que virá após me machucará ainda mais. Por isso não gosto de ter esperanças, mas ao mesmo tempo queria que ela não me abandonasse. É como manter um tipo de cabo de guerra dentro da minha mente, os dois lados me puxando e me enlouquecendo.
(Gabriella Santos)

terça-feira, 16 de abril de 2013

"Eu te amo" não é "Bom dia"


Não me venha com esse papo de amor, por favor. Sei que amor é algo subjetivo e as pessoas tem visões diferentes sobre isto. Mas se você troca de namorada a cada mês, não pode ter amado todas elas. Parem de confundir amor com paixão! Amor é amor, paixão é paixão, desejo é desejo, e fogo no rabo é só fogo no rabo. Nada mais. Se acham que logo de primeira dizer que ama, que "você é minha vida", é uma coisa romântica, estão redondamente enganados. E se vocês, meninas, gostam de ouvir um "eu te amo" logo na primeira semana de namoro, depois não reclamem de que foram iludidas, pois talvez vocês mesmo estejam se iludindo. Pensem que se ele te disse isso logo de cara, também já disse pra muitas outras. Romântico é ouvir um "eu te amo" inesperado, um que seja verdadeiro ou pelo menos chegue perto disso. No momento certo, sem pressa. Pessoas muito óbvias, que têm as atitudes mais óbvias, nunca me passaram muita confiança. Prefiro os mistérios, prefiro a expectativa, prefiro pessoas chatas e complicadas, mas que pelo menos sejam verdadeiras e por favor, fora do normal. O normal nunca me atrai. O que eu vejo todos os dias ao meu redor nunca me desperta interesse, só repulsa.  Repulsa em ver tantas pessoas pregando o amor por aí, sem nem ao menos saber o que é.
(Gabriella Santos)

sábado, 30 de março de 2013

Resenha do livro: O jogo do anjo

Livro: O jogo do anjo
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Editora: Suma de letras
Páginas: 410

(Contém spoilers. Recomendado somente à uem já leu.)

"Um escritor nunca esquece a primeira vez em que aceita algumas moedas ou um elogio em troca de uma história. Nunca esquece a primeira vez em que sente o doce veneno da vaidade no sangue e começa a acreditar que, se conseguir disfarçar sua falta de talento, o sonho da literatura será capaz de garantir um teto sobre sua cabeça, um prato quente no final do dia e aquilo que mais deseja: seu nome impresso num miserável pedaço de papel que certamente vai viver mais do que ele. Um escritor está condenado a recordar esse momento porque, a partir daí, ele está perdido e sua alma já tem um preço."

Algumas pessoas dizem por aí que O jogo do anjo foi decepcionante, mas na minha opinião foi maravilhoso! Sinceramente, não achei o final "sem pé e sem cabeça". Claro que deixou algumas perguntas no ar, mas creio que essa foi a intenção do Zafón, deixar que cada leitor tire suas próprias conclusões. As grandes dúvidas são sobre Andreas Corelli. Afinal, um anjo ou um demônio? Um anjo do mal? Quais suas origens? Eu cheguei a conclusão de que Corelli antes de se tornar isso, também já foi um escritor em desgraça assim como David e que agora David seria como ele.
"Você vai caminhar em meu lugar e sentir o que sinto" "Essa é minha benção e minha vingança".
Já na questão de Cristina, foi como um presente que ele deixou para David, aquela garotinha da fotografia, como se tudo já estivesse planejado a muito tempo, fosse parte do destino ser assim. Uma maldição.

Para mim, o grande desenrolar dessa história é quando David é atropelado pelo bonde e acaba por parar no depósito das águas, onde escuta de um homem estar em um purgatório. É ali que ele finalmente encontra Corelli pela primeira vez e não só por cartas. Ao meu ponto de vista, quanto mais próximo da morte David se encontrava, mais Corelli poderia se aproximar, afinal, era um anjo.
Logo após isso, David descobre o tumor no cérebro e ter poucos meses de vida. (Descobre isso ao visitar um médico, que quando ele conta sua história ao inspetor Grandes, ficamos sabendo que estava morto havia 12 anos) Quando visita o cemitério dos livros esquecidos, o livro que ele escolhe (ou que escolhe ele, pra ser mais exata) nada mais é que o livro de Diego Marlasca, outro amaldiçoado, com quem David acaba tendo seu destino cruzado.

David vende sua alma à Corelli ao aceitar sua proposta. Vende sua alma à 100 mil francos quando aceita escrever o tal livro, a tal religião. Afinal, como diz Sempere, "Os livros têm alma. A alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram, que viveram e sonharam com ele."
Ao entrar no jogo do anjo, ele não poderia mais sair, assim como Diego Marlasca também nunca conseguiu. Viveu com aquela maldição por não ter cumprido o trato.
Lá pelos capítulos finais, quando David conta toda a história ao Inspetor Grandes, que investiga cada detalhe, é quando Zafón põe em jogo a sanidade do David e deixa que cada um tire suas conclusões. Tudo levava a crer, que toda aquela história havia sido inventada por David em sua própria cabeça. (já que era um escritor, não seria de se estranhar) Seu médico que já estava morto à anos, a casa de Corelli que se encontrava abandonada, a conta no banco que não existia, e por aí vai... Um detalhe importante também, é que enquanto David fazia investigações sobre Marlasca, sempre esteve sozinho. Ao se encontrar com a viúva Marlasca, Roures, o advogado Valera e a própria Cristina... o que pode nos levar a acreditar , que na verdade ele é quem cometeu todos os crimes, inclusive os cortes em seu peito que poderiam ter sido feitos por ele mesmo. Vale lembrar que durante todo o livro, ninguém além David, viu Andreas Corelli.

Agora eis a minha opinião sobre isso.
Era óbvio que David não estava em seu juízo perfeito, à essa altura nem ele sabia mais o que era ou não real. Tudo se passou sim em sua mente -o que não significa que não tenha acontecido de verdade- O fato dos outros não enxergarem, é que eles não faziam parte do jogo. O jogo era entre David e Andreas Corelli. Pode ou não ter sido David a cometer os crimes. Lembrem-se que ele sempre dizia notar uma presença dentro dos locais em que ele estava e logo após as pessoas costumavam aparecer mortas, (viúva Marlasca e Valera) porém nós nunca víamos quem era, porque podia muito bem ser sua própria presença, ser algo que carregava com ele.
Mas de qualquer forma, para mim Corelli é o vilão, o anjo de dois lados. (o bom e ruim, que abençoa e amaldiçoa) David foi apenas mais um infeliz ao entrar no jogo do anjo, no qual ao final, ele se tornaria o anjo, carregaria para sempre sua benção e maldição. Um pobre infeliz à viver na cidade dos malditos.
Ps: Não poderia deixar de dizer que amei descobrir que Isabella viria a ser mãe de Daniel (personagem de A sombra do vento)

Zafón mais uma vez me emocionou e me surpreendeu em um de seus livros. Confesso que chorei ao final, porque me apeguei tanto ao David... rs Livro recomendado apenas para quem não gosta de finais óbvios.


sexta-feira, 29 de março de 2013

Meu corpo não está à venda

Fico pasma em viver num mundo onde mulheres são tratadas como mercadorias. Um carro bonito, um cartão de crédito, uma roupa de marca e eles simplesmente acham que nos dá a obrigação de querer algo com eles. Não sei se sinto mais nojo ou pena de caras desse tipo. Nojo, porque eles simplesmente não sabem diferenciar uma mulher de uma puta qualquer. Se eu quisesse vender meu corpo em troca de dinheiro, eu estaria em alguma esquina, mas não estou. Muitas das vezes só estamos passando na rua, estamos em uma festa e somos obrigadas a lidar com esse tipo de situação que literalmente dá nojo. Pena, porque simplesmente é esse o sentimento que eu tenho por alguém que não tem nada a oferecer além de bem materiais, além de futilidades que se eu quiser, posso conseguir com meu próprio esforço. Alguém que não sente nada além do desejo de exibir uma mulher como se fosse um troféu. Alguém que não tem inteligência, não tem caráter e precisa se valer de cantadas baratas. E sabe o que é pior? Tem mulher que cai nessa.

(Gabriella Santos)

sábado, 16 de março de 2013

Talento para drama


Nunca acreditei no amor. Já li tantos romances, com histórias lindas e comoventes e ficava me imaginando vivendo aquilo, porém nunca vi no mundo real. É por isso que meu gênero preferido sempre foi o drama. São muito mais reais, muito mais sinceros, traduzem muito mais a vida atual que grande parte das pessoas levam. Podem ter finais felizes ou finais tristes, alguns tão tristes que as pessoas chegam a dizer que são injustos. Mas quem disse que a vida é justa? Na maior parte, ela não é! Os dramas pelo menos não te iludem, não te fazem ficar esperando por algo que não vai acontecer. E quando acontece, melhor ainda, porque pelo menos é inesperado e não clichê. Sempre tive ódio, ódio mesmo dos clichês. Tão "romântico" e tão sem graça a idéia de que a mocinha vai encontrar o mocinho e os dois serão felzes para sempre... Prefiro muito mais quando tem tragédias, surpresas ou pelo menos um pouco de suspense no meio da história. Acho que seria a personagem perfeita para um drama, daqueles bem trágicos mesmo, mas que pelo menos são de tirar o fôlego. Daqueles que te prende a cada momento e você não faz idéia de como pode ser o final.

(Gabriella Santos)